Manifesto da Adusp – PM no campus da USP: uma tragédia anunciada!

Posted on 31/10/2011 por

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Fonte: Adusp |

Atentos ao ocorrido na quinta-feira passada (27/10) no campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP), quando a Polícia Militar do Estado (PM-SP) fez uso de bombas de efeito moral e cassetetes para conter manifestação de estudantes, apresentamos, a seguir, algumas ponderações que, esperamos, possam contribuir para elucidar a questão e evitar outros episódios análogos.

Por considerar abusivas, tanto a referida operação da PM-SP como a postura da Reitoria contra alunos e funcionários, estudantes ocuparam o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e condicionam a sua desocupação à rescisão do convênio entre USP e PM-SP e à descriminalização de funcionários e estudantes, os primeiros ameaçados de demissão e os segundos de “eliminação” da universidade.

Por certo, o referido campus da USP faz parte do espaço urbano da cidade de São Paulo e não está imune às prerrogativas de convivência social, ainda que com suas especificidades.

A USP, cumprindo seu papel educativo, pode e deve se organizar de forma democrática, mostrando à sociedade a importância do respeito à diversidade, característica da universidade, que impõe o exercício da tolerância e o caminho da autoridade conquistada, jamais o autoritarismo.

Assim, o polêmico convênio entre USP e PM-SP para “cuidar da segurança no campus”, estabelecido no calor do trágico episódio da morte de um estudante na Faculdade de Economia e Administração (FEA), levanta uma série de preocupações.

A USP, por ser uma instituição pública educativa, tem o dever de garantir as liberdades democráticas, num ambiente que valorize a diversidade de pensamento e ação, incluídas aí a crítica à organização e ao funcionamento dela própria e da sociedade onde está inserida e a construção cotidiana de uma universidade e de uma sociedade cada vez mais justas e igualitárias.

O que se espera de uma instituição educativa é exemplaridade no trato civilizado com a diversidade que caracteriza qualquer sociedade, o que envolve respeito às relações trabalhistas, transparência na prestação de contas sobre o uso de verbas públicas, adequação de sua organização e funcionamento, consoante aos interesses da sociedade.

A USP pode e deve constituir e manter um efetivo que realize a segurança em seu território, devidamente formado por valores humanitários e democráticos para o convívio com a diversidade que a caracteriza e a torna singular. Para tanto, é necessário que invista na formação de um contingente de funcionários aptos a atuar nesse espaço, mostrando que casa educativa não é lugar de polícia.

É isto que temos visto? Seguramente, não!

Assim, independentemente de considerarmos o mérito do fato gerador da repressão da PM-SP na USP e da estratégia adotada pelos estudantes para se contrapor à situação constatada, a sociedade precisa posicionar-se frente a essas questões, que são cruciais para o fortalecimento da universidade autônoma e da democracia no país.

É preciso, ainda, dar um basta à omissão da Reitoria, que ao invés de assumir a responsabilidade pela condução de políticas respaldadas pela comunidade para o encaminhamento das questões relativas à segurança e ao convívio na universidade, opta por respaldar o autoritarismo, delegando à polícia esse papel, em flagrante violação do ethos universitário.

Diretoria da ADUSP
São Paulo, 31/10/2011

 



Originalmente publicado no site da Adusp


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