A quem interessou o acirramento do conflito na USP? – Adma Muhana

Posted on 01/11/2011 por

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Fonte: VI O MUNDO |

Pelos relatos de diversos colegas, havia pelo menos desde as 10h da manhã do dia 27/10 uma disposição de constrangimento da PM em relação a alunos e alunas, incluindo revistas à saída da Biblioteca. Estranho que só às 18h30 houvessem encontrado uma “porção de maconha”: horário de chegada dos estudantes para o início das aulas do noturno, véspera de feriado, animosidade cultivada.

A quem interessou o acirramento do conflito?

O que ou quem levou esses tantos estudantes a, em vez de se indispor contra os mandantes da PM no campus, irem contra a própria Direção da Faculdade, que tem oferecido resistência e tem sido, a Faculdade, a maior vilipendiada nos sucessivos acontecimentos dos últimos anos?

Francamente, parece-me que a questão não é a maconha, nem é a presença ou expulsão da PM no campus. Até onde eu sei, a segurança no metrô durante muito tempo foi feita por uma guarda desarmada, tendo em vista o dano maior que uma arma de fogo ou um estopim de pânico poderia causar num local em que tantos milhares de pessoas transitam diariamente.

Câmaras, iluminação adequada e outros meios de vigilância e prevenção deveriam prioritariamente coibir crimes. Não sei como é hoje, em tempos de escassez de verba para ações menos imediatas e menos aparatosas. Sei que, em Coimbra, uma Guarda Universitária ainda hoje zela pela segurança dos alunos, funcionários e professores, porque a Reitoria os considera como atuais e futuros servidores do país, devendo por isso serem particularmente protegidos.

Se a questão é a segurança no campus, me pergunto: Por que não há uma segurança específica e eficaz da própria Universidade de São Paulo? Por que é preciso recorrer a uma polícia militar, que, por mais educada que seja, é treinada para lidar com criminosos? Apesar de tantos indícios em contrário, nunca me convencerei de que quem estuda, trabalha ou leciona na Universidade, de São Paulo ou de qualquer outro lugar, deva ser tratado como um fora da lei.

Neste momento, certamente uma ação consequente para se repensar tantas questões que estão colocadas seria a saída espontânea e refletida dos alunos da Administração da Faculdade, e, ao mesmo tempo, uma tomada de posição independente e soberana da Congregação da Faculdade acerca dos limites e dos fins de qualquer ação de segurança no campus.

Adma Muhana é professora de Literatura Portuguesa no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFCLH/USP

Originalmente publicado no blog VI O MUNDO, em 1 de novembro de 2011 às 13:01

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