Contaminação de terreno na USP Leste faz professores decretarem greve

Posted on 10/09/2013 por

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Fonte: Folha de São Paulo |

Por Eduardo Geraque e Felipe Souza
Para a Folha de São Paulo

Os professores da USP Leste decretaram greve nesta terça-feira alegando preocupação com os riscos de trabalharem em uma área contaminada.

A eclosão da crise é uma placa, com símbolo da Cetesb (agência ambiental paulista), instalada nesta semana dentro do campus da universidade paulista aberto em 2005.

A informação contida nela é que “aquela área está interditada por conter contaminantes com risco à saúde”.

Todos os prédios da USP Leste, por onde circulam mais de 4.000 pessoas, entre alunos, professores e funcionários, estão sobre uma terra que contém lixo orgânico.

Com o passar do tempo, esse material começa a emitir gás metano, que é tóxico e explosivo. O risco de acidentes dentro de ambientes fechados, onde o gás pode ficar armazenado, é real, segundo os técnicos ambientais que visitaram o local em 2012.

A Cetesb, de forma oficial, autuou a USP Leste no dia 2 de agosto, mas diz que não mandou colocar nenhuma placa interditando a área.

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Professores da USP Leste entram em greve após instalação de placa que alerta sobre risco de contaminação por gases tóxicos. Foto: Mariana Rocha Oliveira/Leitora da Folha

A atuação ocorreu porque, segundo a agência, a universidade não cumpriu uma série de exigências ambientais impostas em novembro. A direção da USP Leste nega não estar cumprido o acordo.

Os professores dizem que ficaram alarmados com o surgimento da placa, porque, até então, a informação vinda da direção era de que tudo estava sob controle e de que não havia riscos para ninguém.

Dizem que a greve foi decretada para saber qual é a situação real da área. As aulas ontem foram suspensas e não devem voltar pelo menos até segunda-feira (16).

Amanhã, os professores vão à Cetesb para obter informações oficiais do problema de contaminação do solo.

Segundo a agência paulista, a direção da USP deveria ter feito investigações mais profundas do problema, construir dutos de extração de gases em vários locais e enviar ao órgão relatórios técnicos com o monitoramento de toda a situação.

Por isso não ter sido feito, segundo a Cetesb, é que a advertência ocorreu.

A USP Leste nasceu em uma área problemática. A contaminação do solo atrasou, por exemplo, a licença de operação do local. Os prédios funcionaram sem licença de operação ambiental entre 2005 e 2012.

Se o órgão ambiental entender que as providências exigidas não estão sendo tomadas, poderá haver uma multa e, até, no futuro, uma interdição dos prédios.

Episódio semelhante, por causa também do risco de explosão do gás metano, ocorreu no shopping Center Norte, em 2011. O centro comercial chegou a ser fechado.

Para o professor de gestão de políticas públicas Pablo Ortellado, a suspensão das aulas foi necessária para garantir a segurança dos funcionários. “Essa medida é inevitável porque a comunidade corre riscos graves de saúde”, disse.

OUTRO LADO

Em nota, a USP reconheceu o problema no campus leste e disse que está tomando medidas para minimizar os seus efeitos e punir os responsáveis pela contaminação do terreno.

A universidade informou que instaurou uma sindicância para apurar que funcionários autorizaram o aterramento da área, agravando a contaminação.

A USP disse que está avaliando quais medidas serão aplicadas aos responsáveis pela contaminação.

E informou que vai contratar uma empresa especializada para diminuir os impactos ambientais na área afetada.

A universidade reconheceu que o campus, sede da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, foi construído em uma “área ambientalmente problemática”.

Disse que, ainda assim, o local foi escolhido como o mais adequado para a construção do campus na época.

A USP afirmou que foram despejadas terras de origem desconhecida em alguns locais do campus e que, após análise em laboratório, foi constatado que elas estavam contaminadas.
Mas não informou que empresas realizaram o trabalho.

A universidade também relatou que todas as exigências da Cetesb para amenizar o problema do terreno “estão sendo cumpridas na medida do possível, levando em consideração os mecanismos de contratação de serviços por meio de processos licitatórios”.

A universidade afirmou ainda que toda a documentação referente às análises de monitoramento, mapeamento e relatórios técnicos, solicitada pela companhia ambiental, foi entregue nos prazos estipulados.

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