Reitor da USP deixa representantes de alunos fora de reunião sobre eleições diretas

Posted on 02/10/2013 por

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Fonte: Rede Brasil Atual |

 

Conselho Universitário decidiu manter escolha indireta. Estudantes ocuparam prédio da administração e hoje realizam assembleias para definir próximos passos

manifestação alunos CO de outubro de 2013

Alunos prometem manter ocupação até que seja alterada a forma de escolha do reitor

 

por Malú Damázio, da Rede Brasil Atual

São Paulo – Representantes dos alunos no Conselho Universitário (CO) da USP foram impedidos de entrar na sala de reuniões na tarde de ontem (1º), quando o colegiado discutia modelos de eleição para reitor da universidade. O processo foi aberto em julho pelo reitor João Grandino Rodas, que parecia tomado de democracia após uma administração cercada de atos arbitrários. Mas, conforme a RBA antecipara, o ímpeto de abertura havia sido deixado para trás, e caminhava-se para que a universidade mantivesse a escolha do cargo máximo restrita a pequenos grupos.

Ontem, os representantes discentes saíram do CO para avisar aos manifestantes reunidos na porta da reitoria que o Conselho não seria aberto a todos, como cobravam alunos, professores e funcionários. Mas os portões do prédio da reitoria estavam fechados, e eles não puderam sair. Ao voltarem, cinco representantes da graduação, dois da pós e um funcionário se depararam com a sala trancada.

A reitoria confirma que as portas do Conselho permaneceram trancadas até o término da reunião. A alegação é de que o prédio já havia sido invadido e que a ação foi tomada por motivos de segurança. “Nós gostaríamos que o Conselho fosse aberto para garantir com que as questões fossem votadas de maneira transparente”, critica o representante discente da graduação no CO Raul Rosa.

Cerca de 500 manifestantes entraram no prédio e prometem agora permanecer no local até que seja aberto um canal para o diálogo direto sobre as eleições com as categorias uspianas. O ato unificado foi organizado por estudantes, funcionários e professores e contava com a transparência no processo de escolha do reitor, mas, no final, aprovou-se uma proposta de escolha indireta do cargo máximo.

A escolha de uma lista tríplice com nomes a serem encaminhados ao governador atualmente é feita em dois turnos pela Assembleia Universitária, formada pelo Conselho Universitário, Conselhos Centrais, Congregações das Unidades e pelos Conselhos Deliberativos dos Museus e dos Institutos Especializados. A mudança aprovada na reunião de ontem é de que a escolha se dê em um turno, com uma consulta prévia à comunidade, formada 120 mil pessoas. Na prática, a escolha permanece restrita a duas mil pessoas, 1,7% do total.

A decisão desencadeou a ocupação do prédio da reitoria por alunos, funcionários e professores, e a greve geral dos estudantes, deliberada em assembleia.

 

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