“Manifesto da Minoria”

Publicado originalmente no Blog da Minoria Política da USP

Nós, minoria da comunidade da Universidade de São Paulo, que não aderimos ao movimento de greve e não concordamos com ele, nem com as palavras de ordem do movimento político que ocorre atualmente na USP, julgamos necessário buscar apoio nos manifestando publicamente.

Em primeiro lugar, não temos pretensão de falar em nome de todos, mas apenas abrir espaço para manifestação daqueles que quiserem, pois ninguém tem legitimidade ou representatividade para falar em nome de todos na USP.

Em segundo lugar, nos espaços institucionalizados, nós nos consideramos minoria. Assim, valendo-nos do direito à livre manifestação assegurada na Constituição Brasileira e considerando ser vedado o anonimato, optamos por ser minoria posicionada em vez de ser minoria silenciosa, omissa ou alienada, porque calada.

Temos consciência de que os desdobramentos que o movimento tem tido e as ações embasadas em nome de assembléias e entidades representativas transmitem à sociedade uma idéia sobre o que se passa na Universidade que inevitavelmente recai sobre todos.

Não há como atacar a falta de diálogo na USP por parte da Reitoria ou das instâncias deliberativas da Universidade se não somos capazes de conviver com o contraditório no ambiente cotidiano acadêmico, uma vez que o diálogo pressupõe abertura e respeito a opiniões contrárias.

Se há bandeiras, e não são poucas, pelas quais podemos e devemos lutar juntos na Universidade, estas bandeiras têm de emanar das categorias acadêmicas que a compõem: estudantes, funcionários e professores, e não impostas por grupos, mesmo se majoritários (ou simplesmente mais bem organizados), principalmente quando dispostos ao uso da força para suprimir as liberdades individuais, os direitos de exercício profissional e a livre manifestação do pensamento.

Não somos favoráveis ao “FORA RODAS” sem que haja discussão qualificada sobre sua gestão e sobre o modelo de gestão que queremos.

Não somos favoráveis ao “FORA PM”, mas nem por isto defendemos a presença da Tropa de Choque na USP. O debate sobre a segurança pública, na USP e fora dela, deve ter como princípio a tolerância e o respeito à cidadania.

Não somos favoráveis à prisão e à perseguição política, mas defendemos que todos devem responder por seus atos, garantidos o direito ao devido processo legal e à ampla defesa. Isso vale para qualquer cidadão, seja policial, professor, funcionário, estudante e mesmo o reitor da USP, o prefeito, o governador ou o presidente da República.

Somos, sobretudo, favoráveis a pautas que não se resumam ao “tudo ou nada”, em que qualquer ressalva ou opinião que não se encaixe nas categorias sejam excluídas da discussão.

Não concordamos com o anonimato nos movimentos políticos ou sociais quanto mais no ambiente acadêmico.

Não é possível cobrar diálogo do Reitor se suprimimos o diálogo com quem discorda de nós.

Não é possível denunciar a repressão perseguindo aqueles que divergem.

Não é possível combater a opressão praticando a violência.

Pela garantia das liberdades individuais e da livre manifestação do pensamento na Universidade de São Paulo.

(seguem 243 assinaturas, cf.  Blog da Minoria Política da USP)

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