“Manifesto do Fórum Aberto de Estudantes, Funcionários e Professores do Departamento de História, FFLCH, USP”

Em virtude dos últimos acontecimentos que atingiram diretamente a
comunidade universitária, nós, estudantes, funcionários e professores
do Departamento de História da Faculdade de Filosofia (USP), reunidos
em um Fórum Aberto, no dia 28 de novembro de 2011, declaramos:

1. Nosso repúdio veemente à presença sistemática e ostensiva da
Polícia Militar nos campi universitários, porque ela expressa o
controle sobre o livre pensamento, a circulação de pessoas e a
constituiç ão de práticas políticas e culturais, colocando em xeque
elementos fundamentais ao florescimento dos saberes universitários.

2. Os problemas de segurança e violência no interior dos campi devem
ser resolvidos com a participação da comunidade acadêmica que tem
condições práticas e teóricas para apresentar soluções adequadas e
contribuir, inclusive, para uma política pública de segurança para o
país.

3. Nossa reprovação à ação repressiva da Polícia Militar na
desocupação do prédio da reitoria e no cerceamento da moradia
estudantil (CRUSP) e à intolerância do atual reitor, João Grandino
Rodas, que não se dispôs a manter um canal de diálogo com o Movimento
Estudantil. Deste modo, essa gestão da reitoria colocou em risco o
princípio estrutural da vida universitária, baseado na negociação e no
respeito aos embates políticos.

4. A militarização dos campi coloca em risco a autonomia universitária
e colabora com interesses de setores políticos que tem privatizado as
práticas acadêmicas e fechado a universidade às questões sociais.

5. Nosso repúdio a qualquer tentativa de criminalização dos movimentos
sociais, como ocorreu durante a prisão de 73 estudantes e funcionários
que ocupavam a reitoria. Por isto, somos contrários aos processos
administrativos que, por ventura, sejam constituídos contra estes
estudantes e funcionários.

6. É preciso construir com urgência, canais de diálogo entre os
estudantes em greve e a reitoria. Entendemos que a concentração de
poder numa pequena fração representada no CO e que o uso restrito dos
recursos públicos da nossa universidade na expansão patrimonial
imobiliária em detrimento das aplicações em cultura, ciência e
tecnologia têm sido elementos responsáveis pelos conflitos atuais da
comunidade acadêmica.

7. Avaliamos, portanto, que a crise atual da universidade é resultado
da estrutura obsoleta e autoritária do poder, por isso, é urgente a
formulação de um novo estatuto que torne real e efetiva a participação
da comunidade acadêmica, em sua diversidade, nas decisões sobre os
destinos da USP. Defendemos a elaboração de uma nova Estatuinte!

Fórum Aberto de Estudantes, Funcionários e Professores do Departamento
de História. FFLCH, USP.

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